Os dados chegavam ao fim do dia.
Enquanto o turno decorria, ninguém sabia onde estava cada camião, em que paragem ia, nem quantos litros levava.
Estudo de caso · Logística de recolha de leite
Do livro de guias em papel a cada litro provado ao segundo — em produção numa frota de cisternas real.
uma solução Revenue Precision · Região de Santarém
A camada digital
Os mesmos camiões, as mesmas quintas, a mesma báscula. Por cima, uma camada que regista, prova e mostra — sem pedir a ninguém que passe a trabalhar de outra maneira.
Volta 804 · 9 paragens
Chegada prevista 14:20
PR-1204 · 3 050 L
4,2 °C · pH 6,7
Báscula · 39 100 kg
Diferença −45 L
A operação
A recolha já funcionava. O que não funcionava era saber, durante o dia, o que estava a acontecer.
O volume, a temperatura e o pH ficavam escritos à mão; a guia seguia no camião; o escritório só via o dia depois de o dia acabar. E a capacidade da cisterna — a única coisa que não se negoceia com um produtor — descobria-se na estrada.
Enquanto o turno decorria, ninguém sabia onde estava cada camião, em que paragem ia, nem quantos litros levava.
Sem hora certa, sem coordenadas, sem forma de mostrar a um produtor em disputa o que foi recolhido, quando e a que temperatura.
Um camião que enche antes da última paragem deixa leite para trás. O problema só aparecia quando já era caro resolvê-lo.
Guia manuscrita
O que construímos
Uma para quem está na estrada, outra para quem está no escritório. Escrevem e leem a mesma verdade, ao mesmo tempo. Nada é exportado, reconciliado ou copiado entre sistemas.
App do motorista
Instalada em Android e utilizável como PWA. Todo o turno é um fluxo em linha reta: entrar, escolher camião e volta, registar cada paragem, imprimir a guia, pesar no cais, fechar.
Painel do gestor
Mapa ao vivo, um cartão por camião em turno, e uma barra de alertas. Planeamento de voltas, produtores, camiões e histórico vivem no mesmo sítio.
A recolha
É a restrição a que todo o ecrã de captura obedece: o motorista está de pé numa quinta, com a mangueira na mão. Volume, temperatura, pH, GPS e guia impressa num só passo — e o botão de confirmar sempre visível.
Exemplo ilustrativo. A marcação chega ao documento — é ela que o regulador quer ver.
Cursor rápido com as bandas normais do produtor, mais entrada numérica exata. O cursor é para a velocidade; o teclado é para a verdade.
Lidos no instrumento. Fora de 2–6 °C ou 6,5–7,0, a leitura fica marcada — nunca bloqueada nem corrigida.
Coordenadas com precisão e idade do sinal à vista. Se o sinal está fraco, a app di-lo; não esconde.
Duas vias — produtor e motorista — com QR, por Bluetooth. Uma guia que não imprimiu fica visivelmente por imprimir nas duas apps.
Uma recolha confirmada é imutável. É garantido pela base de dados, não pela interface — por isso não existe botão de editar em lado nenhum. Uma correção faz-se com nota e mensagem ao gestor, e fica registada como tal.
Capacidade
Cada volta é uma sequência ordenada de paragens com um volume esperado. Somados contra a capacidade do camião atribuído, dizem exatamente onde a cisterna deixa de caber.
Sem rede
Cada escrita entra primeiro numa fila local e só depois é enviada. A fila sobrevive ao fecho da aplicação e ao reinício do telemóvel, mantém a ordem — uma recolha nunca é enviada antes do turno a que pertence — e nada é descartado em silêncio.
O crachá de sincronização está sempre à vista e diz onde estão os dados: enviados, por enviar, a enviar, ou falhados. Tocar nele abre a fila, sempre.
«Sem sinal — guardado no dispositivo.» Nunca «Erro ao enviar». O motorista não tem culpa da cobertura, e a mensagem não o trata como se tivesse.
Fecho de turno
No cais, o camião é pesado cheio e vazio, cada pesagem com fotografia do mostrador guardada em armazenamento privado. A diferença convertida em litros confronta-se com o total registado na volta.
A variação aparece com sinal e comparada com o limiar da operação. Sem interpretação, sem arredondamento simpático — o número.
Pesagem cheio · 39 100 kg
A frota
As voltas estão presas ao tamanho do camião. O planeamento não oferece uma volta a um camião que não a leva — e no pátio fala-se por matrícula e por número, por isso é isso que os ecrãs mostram.
O que mudou
Os motoristas fazem as mesmas voltas e param nas mesmas quintas. Mudou o que fica registado, quando chega ao escritório, e o que é possível responder quando alguém pergunta.
| Indicador | Antes | Com o DigiCampo |
|---|---|---|
| Dados no escritório | No fim do dia, com o livro de guias | Segundos após confirmar |
| Registo por paragem | Guia manuscrita | Menos de 30 s no telemóvel |
| Prova de local e hora | Nenhuma | GPS com precisão e idade do sinal |
| Leituras fora do intervalo | Escritas, sem verificação | Registadas e marcadas no documento |
| Capacidade da volta | Descoberta na estrada | Conhecida no planeamento |
| Reconciliação de fim de turno | À mão, por memória | Cheio − vazio, com foto da báscula |
| Quebra de rede | Volta ao papel | Fila local, enviada por ordem |
Como está construído
Ninguém pediu um sistema de informação. Pediram para saber, ao meio-dia, quanto leite já vinha a caminho.
Resolve-se por desenho, não por disciplina.